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CBCT nas alterações da articulação temporomandibular

CBCT nas alterações da articulação temporomandibular

Papel da CBCT nas alterações ósseas da articulação temporomandibular 

 

A avaliação da articulação temporomandibular (ATM) representa uma etapa indispensável no planejamento de pacientes candidatos à cirurgia ortognática. As deformidades dentofaciais associadas às más oclusões esqueléticas alteram a distribuição das cargas funcionais sobre o complexo articular, podendo desencadear processos de remodelação adaptativa ou degenerativa no côndilo mandibular e nas estruturas adjacentes. Nessas condições, alterações ósseas pré-existentes da ATM podem interferir diretamente na estabilidade cirúrgica e nos resultados funcionais pós-operatórios. 

 

A tomografia computadorizada por feixe cônico (CBCT) consolidou-se como método de imagem de escolha para a análise tridimensional das estruturas ósseas da ATM, superando limitações inerentes às técnicas bidimensionais convencionais. A possibilidade de avaliar a morfologia condilar em múltiplos planos, com elevada acurácia geométrica, permite a identificação de alterações sutis que não seriam detectadas em radiografias panorâmicas ou transcranianas. 

 

Nesse contexto, um estudo retrospectivo[1] recente analisou, por meio de CBCT, as alterações ósseas da ATM em pacientes submetidos à cirurgia ortognática, investigando a distribuição desses achados de acordo com os diferentes grupos de má oclusão sagital esquelética. Os resultados reforçam a necessidade de uma avaliação articular criteriosa antes do início do tratamento ortodôntico-cirúrgico. 

 

Relação entre más oclusões esqueléticas e remodelação da ATM 

 

A ATM é uma articulação sinovial altamente adaptativa, sujeita a constantes ajustes estruturais em resposta às demandas funcionais impostas pelo sistema mastigatório. Em pacientes com discrepâncias esqueléticas sagitais, como as Classes II e III, a direção e a intensidade das forças transmitidas ao côndilo mandibular sofrem modificações relevantes, podendo exceder a capacidade fisiológica de adaptação do tecido ósseo. 

 

Essas alterações biomecânicas podem resultar em modificações morfológicas progressivas, frequentemente descritas como parte de um espectro osteoartrítico. Entre as manifestações radiográficas mais descritas estão o achatamento condilar, a esclerose subcondral, a erosão cortical, a formação de osteófitos e a presença de cistos ósseos subcondrais. A identificação dessas alterações antes da cirurgia ortognática é determinante para reduzir riscos de recidiva, instabilidade condilar e disfunções articulares no pós-operatório. 

 

Metodologia do estudo baseado em CBCT 

 

O estudo analisou retrospectivamente exames de CBCT de 103 pacientes candidatos à cirurgia ortognática, totalizando a avaliação de 206 côndilos mandibulares. Os pacientes foram classificados em Classes I, II e III de acordo com a relação sagital esquelética, utilizando os ângulos cefalométricos ANB e SNB como critérios de categorização. 

 

As imagens foram adquiridas com protocolo padronizado, empregando voxel isotrópico de alta resolução, e analisadas nos planos sagital, coronal e axial. A avaliação das alterações ósseas condilares foi realizada por um examinador calibrado, com elevado índice de concordância intraobservador, o que assegurou consistência metodológica na interpretação dos achados. 

 

Foram investigadas cinco alterações morfológicas principais: achatamento, esclerose, erosão, formação de osteófitos e cistos ósseos subcondrais. A análise estatística incluiu testes de associação para verificar a distribuição dessas alterações entre os diferentes grupos de má oclusão esquelética e entre os sexos. 

 

Prevalência das alterações ósseas da ATM em pacientes ortognáticos 

 

Os resultados demonstraram que o achatamento condilar foi a alteração morfológica mais frequente na amostra total, estando presente em aproximadamente 29,6% dos côndilos avaliados. Esse achado predominou em todos os grupos de má oclusão esquelética, independentemente da relação sagital, indicando um padrão comum de adaptação articular em pacientes com deformidades dentofaciais. 

 

A esclerose subcondral foi a segunda alteração mais prevalente, observada em cerca de 11,2% dos côndilos, seguida pela erosão cortical (10,7%) e pela formação de osteófitos (8,3%). Os cistos ósseos subcondrais representaram a alteração menos frequente, identificados em apenas 4,4% da amostra. 

 

A análise segundo o sexo não demonstrou diferenças estatisticamente significativas na distribuição das alterações ósseas, sugerindo que, nessa população específica, o padrão morfológico condilar está mais relacionado às características esqueléticas do que ao fator sexo. 

 

Distribuição das alterações segundo a má oclusão sagital esquelética 

 

Quando avaliadas as diferenças entre os grupos de má oclusão, o achatamento condilar manteve-se como a alteração predominante nas Classes I, II e III. Em pacientes Classe II, observou-se uma tendência a maior prevalência de erosão e formação de osteófitos, achados frequentemente associados a fases mais ativas do processo degenerativo da ATM. 

 

Um dado de relevância clínica foi a maior prevalência de esclerose na Classe I em comparação com a Classe III, diferença que alcançou significância estatística. Esse achado sugere que a posição mandibular relativamente equilibrada da Classe I pode estar associada a um padrão de remodelação mais adaptativo e crônico, caracterizado por espessamento cortical e aumento da densidade óssea nas áreas de maior carga funcional. 

 

Em contraste, pacientes Classe III apresentaram menor prevalência de esclerose, com predomínio de alterações compatíveis com respostas adaptativas iniciais, como o achatamento, e menor expressão de alterações degenerativas avançadas. Esses dados reforçam a hipótese de que a direção das forças ortopédicas e o posicionamento mandibular exercem influência direta sobre o tipo de remodelação observado na ATM. 

 

Implicações clínicas para o planejamento da cirurgia ortognática 

 

A presença de alterações ósseas pré-existentes da ATM tem implicações diretas no planejamento cirúrgico e na previsibilidade dos resultados. Côndilos com sinais de remodelação degenerativa podem responder de maneira distinta às mudanças posicionais induzidas pela cirurgia ortognática, aumentando o risco de instabilidade pós-operatória e recidiva esquelética. 

 

A identificação prévia de alterações como erosão ativa ou osteófitos permite ao cirurgião-dentista adotar estratégias terapêuticas mais cautelosas, incluindo ajustes no plano cirúrgico, acompanhamento articular mais rigoroso e integração com abordagens conservadoras para a ATM antes ou após o procedimento cirúrgico. 

 

Nesse cenário, a CBCT fornece informações indispensáveis para a tomada de decisão clínica, ao permitir uma avaliação detalhada da morfologia condilar e do estado ósseo articular, orientando um planejamento individualizado e baseado em evidências. 

 

Limitações do estudo e considerações adicionais 

 

Apesar da robustez metodológica, o estudo apresenta limitações inerentes ao seu delineamento retrospectivo. A ausência de correlação direta com dados clínicos e sintomatológicos da ATM impede a associação entre os achados radiográficos e a presença de dor ou disfunção funcional. Adicionalmente, o fato de a amostra ser proveniente de um único centro pode limitar a extrapolação dos resultados para outras populações. 

 

Ainda assim, os achados contribuem de forma significativa para o entendimento da relação entre má oclusão esquelética, remodelação da ATM e cirurgia ortognática, reforçando a importância da avaliação por CBCT como parte integrante do protocolo diagnóstico. 

 

Considerações finais 

 

A análise por CBCT das alterações ósseas da articulação temporomandibular em pacientes candidatos à cirurgia ortognática evidencia que o achatamento condilar é a alteração morfológica mais prevalente em todos os grupos de má oclusão sagital esquelética. A maior frequência de esclerose em pacientes Classe I sugere que o posicionamento mandibular influencia os padrões de remodelação adaptativa e degenerativa da ATM. 

 

A avaliação sistemática da ATM por CBCT antes da cirurgia ortognática permite identificar alterações pré-existentes que podem impactar a estabilidade cirúrgica e os resultados funcionais no pós-operatório. 

 

Na Fenelon Diagnósticos Odontológicos por Imagem, os exames de tomografia computadorizada são realizados com equipamentos de alta precisão, conforme indicação clínica do cirurgião-dentista responsável, contribuindo com o planejamento odontológico especializado. 

 

 

Referência: 

[1] Kadıoğlu, M. B., Yurttutan, M. E., Eriş, M. A., & Durmaz, M. (2026). Cone-Beam CT-Based Analysis of Temporomandibular Joint Osseous Changes in Orthognathic Surgery Patients: A Retrospective Cross-Sectional StudyDiagnostics, 16(1), 101. https://doi.org/10.3390/diagnostics16010101 

 

Autor

Fenelon

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