CBCT: Espessura da plataforma bucal mandibular

CBCT: Espessura da plataforma bucal mandibular

5 Minutos de leitura
visualizações

CBCT: Espessura da plataforma bucal mandibular

5 Minutos de leitura
visualizações

O uso do CBCT na avaliação da plataforma bucal mandibular

O uso de mini-implantes ortodônticos como dispositivos de ancoragem temporária revolucionou a mecânica clínica ao permitir o controle de movimentos complexos com baixa dependência da colaboração do paciente. A plataforma bucal mandibular (mandibular buccal shelf) consolidou-se como um sítio preferencial para a inserção desses dispositivos extra-alveolares devido à qualidade e quantidade óssea da região posterior da mandíbula.

A estabilidade primária desses parafusos está diretamente relacionada à espessura da cortical e à morfologia óssea local, fatores que exigem uma visualização precisa. Um recente estudo comparou a espessura óssea vertical e horizontal da plataforma bucal mandibular em populações adolescentes e adultas, utilizando tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT).Acompanhe a leitura deste artigo técnico para compreender como o CBCT fundamenta o planejamento cirúrgico através de dados quantitativos detalhados e diretrizes clínicas para diferentes faixas etárias.

Metodologia e precisão do CBCT na avaliação óssea

A investigação baseou-se em 60 exames de CBCT, divididos em dois grupos: Grupo A, composto por 30 adolescentes com idade média de 15.35 ± 4.36 anos, e Grupo B, com 30 adultos apresentando idade média de 25.85 ± 5.25 anos. Foram incluídos apenas indivíduos com padrão de crescimento médio, confirmados por análises cefalométricas rigorosas como o ângulo do plano mandibular (SN-MP: 32º ± 5º), ângulo do eixo facial (90º ± 3º) e proporção da altura facial inferior (45% ± 3%). Todos os participantes possuíam dentição permanente completa, excluindo-se terceiros molares para não interferir nos sítios de medição.

As aquisições foram realizadas em um equipamento Carestream CS 9300, operando com 90 kVp, 4 mA e voxel de 0.3 mm. O uso do CBCT permitiu que as medições fossem segmentadas com precisão tridimensional em três localizações anatômicas bilaterais: mesial ao primeiro molar (M1M), região inter-radicular entre primeiro e segundo molares (M1-M2) e distal ao segundo molar (D2M). A espessura vertical foi aferida a 3, 5 e 7 mm apicais à superfície radicular, enquanto a espessura horizontal foi avaliada a 6 mm e 11 mm apicais à junção cemento-esmalte (CEJ). A alta reprodutibilidade do método foi confirmada por um coeficiente de correlação intraclasse (ICC) superior a 0.90.

Análise da espessura vertical via CBCT

Os dados obtidos por meio do CBCT indicaram que a espessura vertical aumenta conforme a profundidade de inserção e varia conforme o sítio anatômico. No nível superficial de 3 mm em relação à superfície radicular, adolescentes e adultos apresentaram valores comparáveis. Na mesial do primeiro molar, adolescentes registraram 16.42 ± 2.91 mm contra 15.58 ± 2.61 mm nos adultos. Na distal do segundo molar, onde o suporte ósseo é naturalmente mais volumoso, os valores foram de 19.63 ± 2.26 mm para adolescentes e 20.41 ± 2.00 mm para adultos.

Diferenças estatisticamente significativas foram identificadas em níveis mais profundos através das imagens de CBCT. Na região inter-radicular (M1-M2), a 5 mm de profundidade, adultos apresentaram 17.11 ± 1.90 mm, enquanto adolescentes registraram apenas 11.75 ± 4.29 mm. Aos 7 mm de profundidade no mesmo sítio, a disparidade acentuou-se, com 16.98 ± 1.43 mm para adultos frente a 11.13 ± 1.92 mm para adolescentes. Esses dados sugerem que a maturação óssea mandibular e a deposição mineral continuam durante a transição para a idade adulta, resultando em uma prateleira óssea verticalmente mais densa nos indivíduos mais velhos, especialmente nas zonas mais profundas da cortical alveolar.

Avaliação detalhada da espessura horizontal

A dimensão horizontal é determinante para evitar o contato radicular e garantir a integridade do parafuso, sendo o CBCT a ferramenta de escolha para essa aferição. A 6 mm apicais à CEJ, os adultos demonstraram maior espessura na mesial do primeiro molar (3.28 ± 1.02 mm) em comparação aos adolescentes (1.92 ± 0.53 mm). Na região inter-radicular, os adultos também superaram os jovens com 4.13 ± 1.13 mm contra 3.03 ± 0.63 mm. Um achado singular ocorreu na distal do segundo molar a 6 mm, onde adolescentes apresentaram 5.76 ± 0.87 mm e adultos 3.65 ± 0.95 mm, indicando uma morfologia específica nesta zona durante o desenvolvimento.

A uma profundidade de 11 mm apicais à CEJ, a espessura horizontal medida pelo CBCT aumentou substancialmente em todos os sítios. Na mesial do primeiro molar, adultos registraram 5.06 ± 0.81 mm e adolescentes 4.01 ± 1.08 mm. Na região inter-radicular, os valores foram de 5.97 ± 0.67 mm para adultos e 4.79 ± 0.71 mm para adolescentes. Na região distal ao segundo molar, o ponto de maior robustez óssea horizontal, os grupos mostraram-se equiparáveis, com 6.85 ± 0.58 mm nos adultos e 6.92 ± 1.16 mm nos adolescentes. Esses valores demonstram que a estabilidade horizontal é mais robusta em áreas apicais, favorecendo inserções que buscam o osso basal para ancoragem extra-alveolar.

Morfologia óssea e variações locacionais identificadas

A análise volumétrica via CBCT permitiu identificar que a plataforma bucal mandibular se torna progressivamente mais espessa no sentido anteroposterior. A região distal ao segundo molar apresentou os maiores valores médios de espessura tanto vertical quanto horizontal, independentemente da idade. Na distal do segundo molar, a espessura vertical aos 7 mm atingiu 20.31 ± 2.50 mm em adolescentes e 20.15 ± 2.59 mm em adultos.

As regiões mesiais e inter-radiculares mostraram-se mais dependentes da faixa etária. Enquanto o adulto possui uma cortical horizontal superior a 4 mm na região inter-radicular já aos 6 mm da CEJ, o adolescente atinge valores similares apenas em profundidades maiores (11 mm da CEJ). Essa diferenciação captada pelo CBCT é vital para a seleção do diâmetro do mini-implante, uma vez que a espessura horizontal mínima recomendada para segurança clínica é de 5 mm, valor este que foi consistentemente encontrado na região distal do segundo molar em ambos os grupos.

Implicações clínicas e seleção do sítio de inserção

A variabilidade anatômica documentada reforça a necessidade de exames de CBCT para o planejamento individualizado de mini-implantes. A região distal ao segundo molar emergiu como o sítio com dimensões mais consistentes e favoráveis em ambas as faixas etárias, oferecendo maior margem de segurança para a inserção de dispositivos de ancoragem extra-alveolar. A presença de uma prateleira óssea mais larga nesta região minimiza riscos de perfuração radicular e maximiza a estabilidade primária do dispositivo.

Para adultos, a maior espessura óssea em regiões inter-radiculares e em maiores profundidades permite uma flexibilidade superior na escolha do comprimento e inclinação do mini-implante. Em contrapartida, no tratamento de adolescentes, o cirurgião deve exercer maior cautela, especialmente em níveis profundos (5-7 mm), onde a espessura vertical é reduzida. O CBCT auxilia na decisão de priorizar a inserção perpendicular ao plano oclusal e preferencialmente na região distal do segundo molar para jovens, garantindo que o dispositivo encontre pelo menos 5 mm de osso para estabilização. A técnica de inserção apical (6-11 mm da CEJ) é suportada pelos dados como a mais segura para evitar danos aos tecidos periodontais e garantir o sucesso da ancoragem esquelética.

Otimização do Planejamento Ortodôntico

O estudo evidencia que a plataforma bucal mandibular não é uma estrutura estática, apresentando processos de maturação que se estendem até a idade adulta. O aumento significativo da espessura óssea em áreas inter-radiculares e profundas nos adultos sugere uma maior facilidade na obtenção de ancoragem estável nestes sítios. Entretanto, a região distal ao segundo molar permanece como a alternativa mais segura e previsível para todas as faixas etárias devido à sua morfologia robusta. O uso do CBCT é indispensável para mapear estas variações, permitindo ao ortodontista realizar um diagnóstico preciso e assegurar o sucesso da mecânica com mini-implantes extra-alveolares.

Na Fenelon Diagnósticos Odontológicos por Imagem, os exames de tomografia computadorizada são realizados com equipamentos de alta precisão, conforme indicação clínica do cirurgião-dentista responsável, contribuindo com o planejamento odontológico especializado.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre a tomografia especializada confira os conteúdos do nosso blog.

Referência:
[1] Mittal M, Gupta S, Jairaj V, Chandra S, Agarwal I, Sharma MK, Gupta S. Comparison of the Mandibular Buccal Shelf Bone Thickness in Adolescents and Adults Using Cone Beam Computed Tomography. Cureus. 2026 Feb 27;18(2):e104393. doi: 10.7759/cureus.104393. PMID: 41918659; PMCID: PMC13033904.

Leia também

Saiba antes

Dentista, assine nossa newsletter e receba informações e atualizações em seu e-mail.

    Título do documento

    Rede convêniada

    Para obter informações sobre o seu plano de saúde, entre em contato com a operadora responsável ou utilize nossos canais de atendimento baixo:

    Whatsapp

    Telefone