CBCT vs panorâmica: Acurácia no diagnóstico de terceiros molares impactados
A complexidade anatômica dos terceiros molares impactados exige rigor no planejamento cirúrgico devido à proximidade com o canal mandibular e ao risco de lesão iatrogênica ao nervo alveolar inferior (NAI). Embora a radiografia panorâmica (OPG) seja um recurso acessível, sua natureza bidimensional impõe limitações técnicas, tornando-se insuficiente para determinar com precisão a distância entre as raízes e o canal quando existem sinais sugestivos de proximidade.
Em contrapartida, a tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) oferece reconstruções tridimensionais que permitem identificar a posição exata do canal e avaliar a integridade da corticação óssea. Ao permitir essa análise detalhada em múltiplos planos, a CBCT eleva o nível de segurança do procedimento, fornecendo ao cirurgião um respaldo técnico indispensável para fundamentar a estratégia cirúrgica na realidade anatômica tridimensional do paciente.
Metodologia e Avaliação Diagnóstica
Um estudo prospectivo com 50 pacientes, realizado entre novembro de 2024 e março de 2025, analisou a relação entre raízes de terceiros molares inferiores e o canal mandibular. Os critérios de inclusão selecionaram indivíduos entre 18 e 40 anos, com queixa de dor e diagnóstico de inclusão dentária. Todos os sujeitos foram submetidos inicialmente a exames radiográficos panorâmicos, avaliados conforme a classificação de Winter para posicionamento dentário e os sete sinais radiográficos de Rood e Shehab: escurecimento das raízes, deflexão radicular, estreitamento radicular, ápice radicular bífido, interrupção do canal mandibular, desvio do canal e estreitamento do canal.
Após a avaliação panorâmica, os casos foram submetidos à CBCT para análise tridimensional. O padrão-ouro para estimar o risco de lesão ao NAI foi a presença ou ausência de corticação óssea entre as raízes do terceiro molar e o canal mandibular. As imagens foram analisadas em seções axiais, coronais e sagitais, utilizando espessura de corte de 150 mm.
Resultados da Comparação Radiográfica
A análise dos dados demonstrou que a CBCT apresenta acurácia superior ao OPG na definição das relações anatômicas. Entre os achados estatisticamente significativos, observou-se que as impactações horizontais e mesioangulares apresentaram maior risco de ausência de corticação, com valores de p < 0,01 e p < 0,05, respectivamente. Em relação à posição do canal mandibular, a localização lingual demonstrou associação altamente significativa com a ausência de corticação (p < 0,001).
Quanto aos sinais radiográficos de Rood e Shehab identificados na CBCT, os resultados foram os seguintes:
- Escurecimento das raízes: Obteve sensibilidade de 94,4%, especificidade de 50%, valor preditivo positivo (PPV) de 51,5% e valor preditivo negativo (NPV) de 94,1%, com significância de p < 0,001.
- Interrupção do canal mandibular: Apresentou sensibilidade de 94,4%, especificidade de 50%, PPV de 51,5%, NPV de 94% e acurácia de 66% (p < 0,001).
- Desvio do canal mandibular: Demonstrou sensibilidade de 44,4%, especificidade de 84,4%, PPV de 61,5%, NPV de 72,9% e acurácia de 70% (p < 0,04).
Outros parâmetros, como deflexão radicular, estreitamento radicular, ápice bífido e estreitamento do canal mandibular, não apresentaram significância estatística na amostra estudada.
Implicações Clínicas para o Cirurgião-Dentista
A evidência clínica reforça que o OPG, isoladamente, pode ser insuficiente para prever com precisão o risco de lesão ao NAI, embora seja uma ferramenta útil de triagem. A presença de sinais radiográficos na panorâmica, como o escurecimento radicular e a interrupção do canal, deve atuar como um alerta para a necessidade de solicitação complementar de CBCT. A ausência de corticação entre o canal mandibular e as raízes do terceiro molar impactado é um indicador direto de proximidade anatômica, elevando o risco de parestesia pós-operatória.
A tomografia de feixe cônico permite ao profissional visualizar com clareza a cortical óssea, permitindo um planejamento cirúrgico mais seguro. Dada a relevância da posição lingual do canal na ausência de corticação, o uso de exames tridimensionais torna-se indispensável para casos de maior complexidade, como impactações mesioangulares e horizontais, assegurando um atendimento baseado em evidências e mitigando potenciais desdobramentos iatrogênicos.
Otimização do Planejamento Cirúrgico e Segurança Clínica
O estudo confirma que a CBCT é o padrão-ouro para a avaliação de terceiros molares impactados e sua proximidade com o NAI, superando a acurácia do OPG. Sinais como o escurecimento das raízes e a interrupção do canal mandibular possuem alta sensibilidade e indicam a necessidade imperativa de avaliação volumétrica antes da exodontia. O planejamento pré-operatório que integra a análise tridimensional reduz as incertezas anatômicas e otimiza a tomada de decisão clínica.
Na Fenelon Diagnósticos Odontológicos por Imagem, os exames de tomografia computadorizada são realizados com equipamentos de alta precisão, conforme indicação clínica do cirurgião-dentista responsável, contribuindo com o planejamento odontológico especializado.
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Referência:
[1] Bhavana S, Almeshari AA, Anusha NV, Ashok C, Takkella BK, Vadlamani R. Comparative Analysis of Diagnostic Accuracy of OPG and CBCT in the Evaluation of Impacted Mandibular third Molar Proximity to the Mandibular Canal. Curr Med Imaging. 2026 Apr 3. doi: 10.2174/0115734056307388260321064549