CBCT na morfologia radicular de um pré-molar

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Tomografia CBCT na avaliação da morfologia radicular de um pré-molar

O sucesso do tratamento endodôntico está intrinsecamente ligado ao desbridamento completo e ao selamento do sistema de canais radiculares. Entretanto, a anatomia interna dos dentes, especialmente dos pré-molares, apresenta desafios significativos devido à alta variabilidade de raízes e configurações de canais. Falhas na identificação de canais extras são causas frequentes de insucesso e persistência de patologias periapicais.

Tradicionalmente, a radiografia periapical foi o recurso padrão para o planejamento. Contudo, sua natureza bidimensional omite detalhes cruciais, como a presença de canais sobrepostos no sentido vestíbulo-palatino. A introdução da tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) transformou o planejamento pré-operatório, permitindo que o cirurgião-dentista visualize a morfologia radicular em três dimensões, com precisão milimétrica e sem sobreposições.

Evidências da variabilidade em pré-molares superiores

Um estudo retrospectivo recente analisou 157 exames de CBCT de pacientes entre 18 e 60 anos, avaliando um total de 1.256 pré-molares para investigar a anatomia radicular e de canais. Os resultados reforçam a necessidade de um olhar mais atento antes da abertura coronária, indicando que os pré-molares superiores são os elementos que apresentam maior complexidade estrutural.

Primeiro pré-molar superior

No primeiro pré-molar superior, a prevalência de duas raízes e dois canais foi de 70,70%. A análise detalhada por meio da tomografia permitiu classificar essas configurações segundo Vertucci, sendo o Tipo IV (dois canais separados da câmara ao ápice) o achado mais frequente, presente em 78,02% dos casos. Essa informação é vital para o planejamento pré-operatório, pois orienta o dentista sobre a localização exata das embocaduras, minimizando o desgaste excessivo da estrutura dentária durante o acesso.

A análise mostrou ainda que 4,14% dos dentes apresentaram uma raiz e um canal, 24,20% tinham uma raiz e dois canais, e 0,95% exibiram três raízes e três canais, demonstrando a alta variabilidade anatômica desses elementos.

Segundo pré-molar superior

 O segundo pré-molar superior apresentou configuração anatômica distinta. A maioria dos dentes (78,34%) possuía uma raiz, sendo que 48,40% apresentaram uma raiz com dois canais. Quanto à classificação de Vertucci, o Tipo I (um canal único da câmara ao ápice) foi o mais prevalente, encontrado em 28,66% dos casos, seguido pelo Tipo IV (26,43%) e Tipo III (24,84%).

Além disso, 28,34% dos dentes tinham uma raiz e um canal, 22,29% apresentaram duas raízes e dois canais, e 0,63% exibiram três raízes e três canais, confirmando a diversidade morfológica também neste elemento.

Características dos pré-molares inferiores

Diferente dos seus antagonistas superiores, os pré-molares inferiores apresentaram uma tendência à simplicidade anatômica, embora não isenta de variações importantes para o planejamento clínico.

Primeiro pré-molar inferior

O primeiro pré-molar inferior mostrou que 72,29% dos dentes apresentaram uma raiz e um canal único. No entanto, 5,73% exibiram uma raiz com dois canais, e 21,97% apresentaram duas raízes e dois canais. O Tipo I de Vertucci (canal único) foi predominante em 71,65% dos casos, mas configurações mais complexas como Tipos II e III também foram identificadas.

A identificação prévia de canais do tipo Vertucci II ou III em pré-molares inferiores é um diferencial que a radiografia convencional raramente consegue prover com clareza. Saber antecipadamente que um dente possui uma configuração de canal que se divide ou se funde no terço médio ou apical altera completamente a escolha das limas e a estratégia de irrigação intracanal.

Segundo pré-molar inferior

Os segundos pré-molares inferiores apresentaram a anatomia mais simples entre todos os pré-molares avaliados. Impressionantes 93,63% dos casos mostraram uma raiz única com um canal único, sendo o Tipo I de Vertucci amplamente predominante. Apenas 2,22% apresentaram uma raiz com dois canais, e 4,14% tinham duas raízes com dois canais.

Essa alta previsibilidade anatômica, no entanto, não elimina a necessidade de avaliação pré-operatória cuidadosa, especialmente em casos com histórico de dor persistente ou calcificações.

Simetria bilateral como estratégia de planejamento

Um dos achados mais interessantes do estudo foi a alta taxa de simetria bilateral observada entre dentes contralaterais. Isso significa que a anatomia presente em um pré-molar de um lado da arcada tem grandes chances de se repetir no lado oposto.

Os dados de simetria bilateral foram particularmente expressivos:

  • Primeiro pré-molar superior: 89,15% de simetria na morfologia radicular e de canais, com 91,71% de simetria nas configurações de Vertucci;

  • Segundo pré-molar superior: 89,78% de simetria na morfologia radicular e de canais, com 91,71% de simetria de Vertucci;

  • Primeiro pré-molar inferior: 87,26% de simetria na morfologia radicular e de canais, com 86,62% de simetria de Vertucci;

  • Segundo pré-molar inferior: 94,90% de simetria na morfologia radicular e de canais, e também 94,90% de simetria de Vertucci.


Essa evidência científica oferece ao cirurgião-dentista uma ferramenta adicional de previsão. Ao solicitar uma tomografia que abrange ambos os lados, o profissional pode utilizar a anatomia do dente contralateral (seja ele hígido ou já tratado) como uma referência confiável para o planejamento do caso atual. Essa correlação reforça a utilidade da CBCT como um mapa anatômico individualizado para cada paciente.

Diferenças por sexo e arcada

O estudo também revelou diferenças estatisticamente significativas (p<0,001) na morfologia dos pré-molares quando analisados por sexo e arcada:

  • Por sexo: Dentes unirradiculares foram mais frequentes em mulheres, enquanto dentes com duas raízes predominaram em homens. Mulheres apresentaram maior prevalência de canal único, e homens mostraram maior frequência de dois canais. O Tipo I de Vertucci foi mais comum em mulheres, enquanto os Tipos IV e V foram mais frequentes em homens.

  • Por arcada: Na maxila, predominaram dentes com duas raízes e dois canais, sendo o Tipo IV de Vertucci a configuração mais comum. Na mandíbula, a maioria esmagadora apresentou raiz única com canal único, com amplo predomínio do Tipo I de Vertucci.


Vantagens da tomografia no planejamento pré-operatório

A indicação da tomografia antes de iniciar o tratamento endodôntico em pré-molares oferece benefícios que impactam diretamente na previsibilidade clínica:

  • Detecção de canais extras: Visualização clara de sistemas de canais duplos ou triplos que seriam omitidos na radiografia 2D;

  • Mapeamento de curvaturas: Avaliação da inclinação radicular em planos que a radiografia periapical não alcança;

  • Localização de deltas apicais: Identificação de complexidades no terço apical que exigem protocolos de desinfecção mais rigorosos;

  • Preservação de estrutura: O acesso endodôntico guiado pelos achados da tomografia permite uma abordagem mais conservadora, preservando a dentina pericervical;

  • Previsibilidade através da simetria: Utilização da anatomia do dente contralateral como referência para o planejamento.

A análise por meio da classificação de Vertucci, facilitada pela alta resolução da CBCT, permite que o profissional antecipe dificuldades técnicas e selecione o arsenal de instrumentos mais adequado para a anatomia específica do elemento.

Redução de falhas e previsibilidade clínica

A discussão deste estudo é relevante porque evidencia que a anatomia “padrão” descrita em livros muitas vezes não corresponde à realidade clínica encontrada nos exames de imagem. O uso da tomografia como exame pré-operatório reduz drasticamente as chances de canais não tratados e, consequentemente, de retratamentos futuros.

Para o dentista, a CBCT não é apenas um método de diagnóstico de patologias, mas um guia anatômico fundamental. Em casos de pré-molares com anatomia suspeita, calcificações ou histórico de dor persistente, a visão tridimensional é a única forma de garantir que todo o sistema de canais radiculares seja devidamente abordado.

Os dados numéricos precisos sobre prevalência de diferentes configurações anatômicas, combinados com as altas taxas de simetria bilateral, transformam a CBCT em uma ferramenta estratégica que vai além do diagnóstico, contribuindo para a tomada de decisão clínica baseada em evidências.

Na Fenelon Diagnósticos Odontológicos por Imagem, fornecemos reconstruções de alta qualidade que permitem a análise detalhada da morfologia radicular, dando suporte total ao seu planejamento endodôntico.

Referência:

Cebeci, T., Polat Akmansoy, B. Evaluation of root canal morphology of premolar teeth using cone beam computed tomography: a retrospective study. BMC Oral Health (2026). https://doi.org/10.1186/s12903-026-07929-z

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