Tomografia Cone Beam e lesões periapicais

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Acurácia da Tomografia Cone Beam na identificação de lesões periapicais

Lesões periapicais são manifestações inflamatórias localizadas na região apical dos dentes, geralmente associadas a infecções pulpares, trauma ou falhas em tratamentos endodônticos. A detecção precoce dessas alterações é determinante para o sucesso clínico e influencia diretamente o planejamento terapêutico.

Embora a radiografia odontológica convencional ainda seja amplamente empregada na rotina diagnóstica, a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC ou Cone Beam) tem se destacado como uma alternativa mais precisa, sobretudo em casos de maior complexidade.

Um estudo comparativo publicado recentemente no Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences [1] avaliou a acurácia diagnóstica da tomografia Cone Beam em relação à radiografia convencional na identificação de lesões periapicais. Os resultados revelaram diferenças significativas entre as duas modalidades, especialmente no que se refere à sensibilidade, especificidade e capacidade de detecção de lesões pequenas.

Limitações da radiografia odontológica convencional

A radiografia periapical bidimensional continua sendo uma ferramenta amplamente utilizada devido à sua acessibilidade, baixo custo e rapidez na execução. No entanto, sua limitação mais significativa é a sobreposição de estruturas anatômicas, o que pode mascarar a presença de lesões pequenas ou dificultar a estimativa da real extensão das alterações ósseas. Essa limitação compromete a sensibilidade do exame, especialmente em estágios iniciais da patologia periapical. 

No estudo em questão, a radiografia convencional apresentou sensibilidade de 75% e especificidade de 70%. A acurácia geral foi estimada em 73%, indicando uma taxa considerável de falsos negativos e diagnósticos subestimados. Em particular, a radiografia demonstrou baixa performance na detecção de lesões com até 4 mm de diâmetro, faixa na qual alterações precoces costumam se manifestar. 

Vantagens da tomografia Cone Beam na prática diagnóstica

Em contraste com a bidimensionalidade das radiografias, a tomografia Cone Beam oferece imagens tridimensionais de alta resolução, com possibilidade de reconstruções nos planos axial, coronal e sagital. Isso permite ao cirurgião-dentista uma avaliação mais precisa da anatomia radicular, da topografia óssea e da extensão real das lesões periapicais. 

A tomografia Cone Beam demonstrou desempenho superior em todos os parâmetros avaliados no estudo. A sensibilidade alcançou 96%, com especificidade de 94% e acurácia global de 95%. Esses números confirmam a capacidade do exame em identificar com maior confiabilidade as lesões, inclusive aquelas que não são visualizadas por métodos convencionais. Os autores destacaram que, na faixa de lesões com diâmetro entre 0 e 2 mm, a tomografia Cone Beam foi capaz de detectar 95% dos casos, enquanto a radiografia identificou apenas 70%. Mesmo nas lesões com dimensões maiores, manteve índices superiores, com pequena variação entre as faixas de tamanho analisadas. 

Esse desempenho está diretamente relacionado à natureza volumétrica da imagem tomográfica, que possibilita a análise de áreas que, na radiografia, seriam ocultadas por sobreposição de estruturas ou variações anatômicas. A tridimensionalidade é particularmente útil para a visualização de lesões localizadas na face vestibular ou lingual da raiz, áreas de difícil interpretação radiográfica. 

Impacto clínico da tomografia Cone Beam

Os benefícios clínicos se tornam ainda mais evidentes em contextos de alta complexidade. A tomografia tem sido fundamental na reavaliação de dentes com falhas terapêuticas, permitindo a detecção de canais acessórios não tratados, fraturas radiculares, reabsorções externas e outras alterações não evidenciadas por exames bidimensionais. A maior acurácia também se reflete na avaliação de cicatrização periapical, especialmente em acompanhamentos pós-tratamento.

Segundo o estudo, a tomografia Cone Beam oferece informações que podem modificar a conduta terapêutica mesmo quando o diagnóstico inicial não é alterado. A riqueza de detalhes proporcionada pela imagem volumétrica permite confirmar hipóteses clínicas com mais segurança ou indicar abordagens mais conservadoras, quando apropriado. Essa capacidade diagnóstica amplia a previsibilidade dos tratamentos e reduz a chance de insucesso terapêutico por subdiagnóstico. 

Além disso, a tomografia Cone Beam contribui para um planejamento cirúrgico mais seguro. Em procedimentos como apicectomias, por exemplo, a identificação precisa da relação entre a lesão e estruturas nobres, como o canal mandibular ou o seio maxilar, é indispensável. O exame também permite avaliar a espessura da tábua óssea e o acesso cirúrgico mais indicado, reduzindo riscos intraoperatórios. 

O estudo destaca ainda que a indicação do exame deve estar sempre vinculada à complexidade do caso, à necessidade de informações adicionais para o diagnóstico e ao impacto dessas informações no planejamento terapêutico. Portanto, os atuais resultados reforçam a tomografia Cone Beam como uma aliada indispensável na prática odontológica contemporânea. 

Na Fenelon Diagnósticos Odontológicos por Imagem, os exames de tomografia computadorizada são realizados com equipamentos de alta precisão, conforme indicação clínica do cirurgião-dentista responsável, contribuindo com o planejamento odontológico especializado. 

Referência: 
 
[1] Kanneppady SS, Kanneppady SK, Mathew T, Almazrou YM, Syed AK, Hota S, Tiwari R. Diagnostic Accuracy of Cone-Beam Computed Tomography (CBCT) in Identifying Periapical Lesions: A Comparative Study with Conventional Radiography. J Pharm Bioallied Sci. 2025 May;17(Suppl 1):S476-S478. doi10.4103/jpbs.jpbs_1433_24 

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